16.10.10

A ilha de Creta é enorme. Na hora de montar o roteiro, tive muita dificuldade de que ilhas selecionar, já que também pretendia por a Turquia no roteiro e o esquema “tá visto” do tio Felismino  não faz muito meu estilo.

Acabamos decidindo por fazer uma viagem mais voltada para história e menos para turismo ecológico. Nestes “cortes” no roteiro, com um aperto no coração, Mikonos teve que ser deixada de fora. Pensei em tirar Creta, mas como fazer uma viagem histórica pela Grécia e não conhecer o Palácio de Cnossos?!

Assim, o roteiro acabou sendo traçado de acordo com os pontos turísticos que mais queríamos ver em cada lugar. No caso de Creta, era o Palácio e o museu arqueológico de Creta, onde estão os afrescos de Cnossos. Reservamos dois dias inteiros para isso.

Na véspera, Bruno já havia reservado um carro pelo hotel mesmo, um Jimny, da Suzuki. É a nova “cisma” do Bruno e tinha um Jimny em cada esquina em Santorini e em Creta. Reservando pelo hotel saiu muito mais barato, só que tem seus poréns...

Primeira frustração do Bruno, o carro não tinha som. E, segunda, não tinha ar-condicionado. O tanque não vem cheio como de costume pela Hertz e outras empresas mais conhecidas. E estava imundo! Na hora que liguei o ventilador, pularam folhas secas de árvore no meu rosto. Mas tudo bem, o carrinho é um charme assim mesmo.



O dia estava lindíssimo. Cnossos fica a menos de dez quilômetros de distância de Irákleio, onde estávamos hospedados, que é a capital da ilha.

Na Grécia, nenhum dos lugares em que fui, havia audioguia, para meu azar. Já estou tão acostumada a ouvir as explicações em espanhol! No palácio, havia o velho sistema da guia que espera juntar um grupo e, então, cola um adesivo na gente e vamos embora atrás dela e de seu guarda-chuva ou lenço. Custou dez euros por pessoa, mas valeu a pena. A guia era muito boa e falava inglês com sotaque grego suave, fácil de entender. Achamos que ir por conta própria seria arriscado, pois o palácio é muito complexo, tinha mais de mil aposentos e cinco pavimentos.

Na verdade, existiram dois palácios neste mesmo lugar. O primeiro de 2000 a.C., destruído por um terremoto, e o segundo de 1700 a.C (é deste as ruínas que vemos). Estamos falando novamente da civilização Minóica. A esta altura, eu, que já estava admirando, virei fã dos caras de vez.

O palácio já possuía, no século XVIII a.C., um avançado sistema de encanamento (nós vimos um cano de verdade!)







e vasos sanitários com descarga!!!

Mas o palácio de Cnossos é conhecido mesmo é pela lenda do Minotauro, o ser meio-homem, meio-touro que supostamente teria sido aprisionado em um labirinto subterrâneo do palácio.

Labirinto vem da palavra grega "labrys", que quer dizer machado duplo. Labirinto significa, portanto, "a casa em que ficava o machado duplo".

A essa altura eu me perguntava por que labirinto, para todos nós, é aquele lugar cheio de corredores estreitos e escuros, cuja saída é difícil de achar. O que isso tem a ver com a casa do machado duplo?!

A guia, então, explicou que o machado duplo era uma ferramenta de uso muito comum, mas também um símbolo sagrado para o povo minóico.

No dia seguinte no museu (vide post do segundo dia em Creta), veríamos vários exemplos em que o tal “”labrys” aparecia em destaque, como este:




Desfeito o mistério. O Palácio era conhecido como Labirinto pelo significado religioso do tal machado duplo para os Minóicos. E, como o palácio tinha mais de mil cômodos, alguns corredores bastante estreitos e escuros e devia ser realmente fácil de se perder, qualquer lugar que tivesse estas características passou a ser conhecido como um labirinto!

E onde entra o Minotauro nisso? Bom, a lenda dizia que ele havia sido aprisionado num lugar com as características exatas de um labirinto, faz todo o sentido que fosse ali então...

Há vários afrescos de touro no Palácio. Os afrescos são réplicas, pois os originais estão no museu de Irákleio.





A guia informou que um dos passatempos preferidos dos Minóicos envolvia touros. As pessoas “brincavam” de pular por cima do touro. Bom, até hoje em dia, “brinca-se”com touros, não é? Afinal, o que são as touradas?

E o touro era também, provavelmente por sua força, considerado um animal sagrado. Estes chifres restaurados são o símbolo do touro sagrado e imagina-se que tenha adornado a parte superior do palácio.




Estas são teorias que levam a crer que daí surgiu o mito do minotauro.

Nem precisaria de tanta história para tornar o palácio interessante. Embora alguns arqueólogos reclamem, a restauração de forma livre feita pelo inglês Arthur Evans, que a patrocinou, acaba dando uma ótima ideia de como o Palácio foi de verdade. Ao contrário de ver ruínas, vemos a reconstrução de algumas partes seguindo o estilo do que sobrou de verdade.

Mas nem tudo está escavado e não temos acesso a todas as partes do edifício. Ficamos um pouco frustrados por não podermos ver os aposentos da rainha. A guia disse que a entrada foi proibida porque os corredores eram muito estreitos e os grupos de turistas demoravam muito a passar. Devia gerar certa confusão, mas que pena! Imagino que, nesta área, daria para entender melhor o significado do labirinto.

Este foi o mais perto que pudemos chegar aos aposentos da rainha.




Outra coisa interessante era a forma das pilastras, mais estreitas em baixo, parecia que estavam de cabeça para baixo (na foto acima já dá para notar)! Várias teorias sobre o porquê disso, nenhuma certeza. Eu gostei mais da teoria que dizia que eles acham mais bonito assim e ponto final. Oras, por que não?




Havia também vasos gigantes, chamados de “pithoi”. Foram encontrados mais de cem em Cnossos. Serviam para armazenar suprimentos.




Outro ponto alto do palácio é a sala do trono. Este ainda está lá, em pedra original e cercado por afrescos de grifos (símbolo sagrado para os minóicos).




Quando a visita estava quase acabando, a guia escolheu um lugar à sombra para sentarmos em pedras, enquanto ela explicava detalhes da lenda do Minotauro. Ainda bem que eu já conhecia bem a lenda, pois, naquele momento, minha atenção se voltou toda para minha nova amiga.

A guia falava quando, de repente, senti uma lambida no meu braço. Era uma cachorrinha, ainda filhote, preta e cinza, com imensos olhos azuis, doida para brincar. Deu para ler nos olhos do Bruno: “não dá confiança para ela”. Porém foi mais forte do que eu. Ela queria morder meu livro e, no que apontei o dedo para ela, para dizer “não pode, ai, ai, ai”, ela abocanhou meu dedo! Não doía, porque os dentes ainda não eram grandes. Quando eu tentava desvencilhar, ela puxava minha calça com a boca. Resolvi deixá-la se divertir com minha mão e o cadarço do meu tênis que ficaram completamente babados.

A guia notou que havia ganho uma concorrente na minha atenção e disse: “olha, acho que alguém fez uma amiga!” E o grupo inteiro se divertiu olhando-a babar minha mão toda... E Bruno? Esse só balançava a cabeça me reprovando, ao invés de tirar uma foto! Puxa, não posso nem mostrar para vocês como ela era linda!

Bruno quis me tirar de perto dela, mas a guia teve que intervir, porque ela não queria me largar de jeito nenhum. Meu marido, um insensível, soltou: “passa logo um álcool nesta mão toda babada!”

Ela mora lá no Palácio, portanto, se alguém for lá, pode tirar uma foto e mandar para mim? Vou ficar tão agradecida...

Demoramos muito menos para ver o palácio do que esperávamos. Que bom, o resto do dia era lucro para gente!

Abrimos o mapa e decidimos ir na direção de Ágios Nikólaos, sugestão da mocinha que nos alugou o carro. Porém, antes, paramos na cidade de Chersónisos, um outro balneário turístico.




Ágios Nikólaos é bem mais simpática, com muitos restaurantes à beira-mar. O sol já estava se pondo, demos umas voltas e aproveitamos para jantar por lá.




No dia seguinte, último dia em Creta e avião para Rhodes.

13 comments :

  1. Adoro seu jeito descontraido de contar suas peripécias! Parece que a vejo falando, narrando,gesticulando e enfeitando tudo com a alegria de seu sorriso e seu olhar....
    E o Bruno, com certeza, pensando no que vai comer!!!!!
    abraços
    Lucila

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  2. Oi Lucila! Que saudade! Adorei seu comentário! Bruno tá que nem a Lia, tirando foto de tudo que é prato! Rsrsrs. Quem sabe numa próxima viagem não estejamos juntos novamente? Bjs!

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  3. Essas pilastras de cabeça para baixo parecem uma concepção moderna de arquitetura. Só que os minóicos estavam sendo "moderninhos" no século XVIII a.C...rs!

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  4. A explicação sobre o labirinto e o minotauro
    foi muito legal, estou aprendendo muito na viagem de hoje!

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  5. Em defesa do Bruno, quero dizer que é bom ele não gostar de dar confiança a cachorra nenhuma...kkkk!

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  6. Continuem postando que eu e meu pai estamos sempre acompanhando. Deixamos os perrengues com vocês e só nos encantamos...rs!

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  7. Q lindinho o Jimny. Parece um brinquedinho. Vem em amrelinho? A-do-ro!

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  8. Caraca! Descarga? Td de bom. Aliás, vcs sabem q eu acho o sistema de água e esgoto a maior invenção do mundo disparado.

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  9. Q avião q nada! Vcs usaram foi o pó de pirlim pim pim!

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  10. Ai quem dera ter o pó do pirlimpimpim pra voltar de Istambul pro Rio!!! Vai ser um dia todo de viagem...

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  11. Não me lembro de ter visto nenhum Jimny amarelinho, não...

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  12. Também acho o sistema de água e esgoto incrível!!! Nada melhor para ilustrar o avanço de uma sociedade!

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  13. Fabi, com aquela cachorrinha eu até dividiria a atenção do Bruno... Rsrsrs

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