12.9.11

Choveu muito durante a noite, mas, pela manhã, o chão estava apenas um pouco molhado. Nosso hotel ficava numa estrada bastante sossegada e um pouco fora da cidade de Blaenau Ffestiniog. A escolha por ficar nesta cidade se deveu à curiosidade de conhecer uma mina de ardósia. É, é isso mesmo. Já, já explico.


As indicações do nosso livro eram muito vagas e ficamos com medo de o GPS não dar conta. Aí, resolvemos perguntar para o carinha do hotel. Vocês acham que o inglês britânico é complicado? Nossa, nunca vi nada igual ao inglês dos galeses. Cheguei à conclusão de que entendia apenas dez por cento do que eles falavam. Bruno entendia um pouco mais. Bom, o importante é que deu para encontrar a mina.

Para chegar até Blaenau Ffestiniog, passamos por estradas bem no meio do Snowdonia National Park. Snowdon é a montanha mais alta do País de Gales e o parque ocupa praticamente toda a parte oeste do norte do País de Gales. As paisagens são incríveis e, quanto mais nos aproximávamos da mina, mais víamos montanhas com muitas, mas muitas pedras cinzas.

Blaenau Ffestiniog já foi a capital da ardósia no norte do País de Gales. Há muitas minas espalhadas pelo país ainda em funcionamento. A que queríamos visitar não funciona mais, apenas para visitação turística. Mas fiquei muito espantada, alguns dias depois, quando liguei a TV e vi a notícia de que uma mina havia sido soterrada e alguns mineiros haviam morrido. Por mais que tenham evoluído, ainda é um trabalho muito perigoso. E foi justamente esta noção que o passeio deu para a gente!

O nome do lugar é Llechwedd Slate Caverns (o site é bem legal http://www.llechwedd-slate-caverns.co.uk). Eles têm dois passeios para dentro das cavernas: o “Miners’ Tramway Tour” e o “Deep Mine Tour” (no site, há vídeo dos dois passeios). Fizemos os dois e nesta ordem. É como recomendo, pois o segundo eu achei mais interessante.

Em ambos, a gente anda de trenzinho. No “Miners’ Tramway Tour”, o percurso é pela superfície mesmo, mas entra nos túneis da mina. Depois de um curto passeio, saltamos do trem, dentro do túnel, sentamos em um banco em uma das cavernas e o guia explicou um pouco de como era o trabalho dos mineiros.









Difícil (ou impossível) é entender o que o guia fala. Para piorar, havia uma moça com um bebê que chorou escandalosamente durante todo o passeio. Não demos sorte...

O passeio mostra como era o trabalho dos mineiros há cento e setenta anos atrás. Muito triste imaginar que se começava ainda menino, com doze anos, com expectativa de vida de mais uns quarenta anos, trabalhando na mina sem cessar, doze horas por dia, folgando somente aos domingos!

As minas são escuras, frias e úmidas. Muitas vezes, trabalhavam no escuro ou à luz de vela, quando possível. Fico imaginando a quantidade de acidentes por dia...

Bonecos ilustravam todas as funções ocupadas pelos mineiros.








No segundo tour (“Deep Mine”), o trem nos leva para baixo, na linha ferroviária mais inclinada da Grã-Bretanha.





Entramos nas cavernas subterrâneas. 
 




Aqui, não há um guia. Em cada caverna, há bonecos de mineiros e gravação de vozes, como se fossem eles mesmos nos explicando cada uma de suas funções. Há reprodução do barulho das escavações e os bonecos estão em suas posições de trabalho. Alguns pendurados em frágeis cordas, bem no alto das pedras.





Depois de sairmos das minas, demos uma volta por lá. Há uma réplica de uma pequena vila do século XIX, com casas típicas, para mostrar como as pessoas viviam. De fato, na época, os mineiros moravam ali, com suas famílias, para ficarem mais próximos do trabalho.







Abaixo, o trenzinho que era usado pelos mineiros naquela época:




E também como era o trabalho de um ferreiro:





Havia, ainda, uma lojinha, vendendo artefatos feitos com ardósia. Mas, na verdade, onde mais vimos ardósia foi mesmo nos telhados cinzas que existem por todo o País de Gales.

Estava muito frio àquela hora da manhã e foi com muito prazer que entrei no nosso carro em direção ao próximo destino: Portmeirion, que fica a vinte minutos dali.

Gente, Portmeirion é uma cidade totalmente criada e construída por uma pessoa, em sua península particular. Isso mesmo, uma “cidade privada”, no topo de uma baía, um lugar superprivilegiado. Mas, como é uma cidade com dono, a gente tem que pagar entrada se quiser conhecê-la e o carro fica estacionado do lado de fora.

O criador da aldeia em estilo italiano foi um arquiteto galês chamado Clough Williams-Ellis (nascido em 1883 e morto em 1978).



Segundo o meu guia, ele teria realizado um sonho de infância, construindo uma cidade do seu jeito e no lugar em que ele mesmo escolheu.





É muito interessante! Bruno ficou superempolgado, disse que estava se sentindo num parque da Disney. Realmente, a cidade tem de tudo: igreja, praça, barraquinha de sorvete e até um hotel!

Ao redor da praça que se vê na foto abaixo, há cinquenta construções muito coloridas e em vários estilos diferentes: oriental, barroco, gótico etc.








No meu guia, dizia que os turistas podem se hospedar no luxuosíssimo hotel ou em uma das charmosas casas da vila. Não tivemos tempo de checar essa informação. Ainda tínhamos muita coisa para ver no dia de hoje.

Dá só uma olhada na piscina do hotel à beira mar:





Gastamos em torno de duas horas passeando pela cidade, mas o tempo passou voando! Não conseguimos explorar a cidade toda, com calma, como gostaríamos. Esse passeio realmente me surpreendeu. Fui achando que encontraria uma cidade normal, apenas fundada pelo tal arquiteto. No final, dei de cara com uma cidade que mais parecia um parque de diversões.

Próximo à saída, havia uma última loja de lembranças. Mesmo com pressa, não resisti a dar uma olhadinha. E o que destaco para vocês é a porcelana de Portmeirion, muito famosa e muito bonita. Depois, nós a vimos em vários lugares do País de Gales e mesmo fora dele.

Como o dia foi muito longo, resolvemos dividi-lo em duas partes.

Aguardem para muito breve o próximo post com a segunda metade do dia!

2 comments :

  1. Olá, adorei o blog! Gostaria de entrar em contato para lhe oferecer uma proposta interessante par ao blog.

    Por favor, aguardo seu retorno.

    Grata,
    Antonieta.

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  2. Olá Antonieta, tudo bem? Muito obrigada pela visita! Que bom que gostou! Vamos fazer contato pelo twitter? Minha @ é @lutesch. A gente pode trocar DM! Bjs, Luciane.

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